A sustentabilidade das empresas passará a ser medida de forma mais efetiva a partir do próximo ano. e o instrumento para essa aferição será a G3, a novíssima terceira versão de diretrizes da Global reporting initiative (Gri), oficialmente lançada ao mercado na primeira semana de outubro, na conferência internacional “reporting: a measure of sustainability”.
Não por acaso, 1.150 representantes de empresas, ONGs e consultorias, provenientes de 65 países, convergiram para amsterdam, na holanda, dispostos a discutir e entender como essa mensuração ajudará a avaliar com mais precisão a performance econômica, social e ambiental das organizações e sua capacidade de sustentar seus negócios no futuro.
Estrela do encerramento do evento, o ex-vice-presidente dos estados Unidos Al Gore incluiu em seu discurso uma defesa veemente dos relatórios de sustentabilidade: “a eficiência das empresas diante dos desafios dos novos tempos deve ser medida nos seus relatórios.
É fundamental que os gestores e o mercado abandonem o foco no curto prazo em favor de uma visão de longo prazo na análise das companhias”. As novas diretrizes para a produção de relatórios de sustentabilidade representam a maioridade da Gri, uma organização que nasceu em 1997, a partir de uma necessidade de se criarem indicadores para comparar companhias sob a ótica da sustentabilidade.
Com a benção da ONU, a Gri passou a desenvolver um padrão de informações que permite o cotejo de setores e empresas de diferentes partes do mundo. de lá para cá, quase mil companhias de todo o mundo adotaram oficialmente o padrão Gri. “a G3 acumula toda a experiência de produção dos relatórios de sustentabilidade feitos até hoje”, afirma Ernst Ligteringen, Ceo da Gri.
A nova versão de indicadores é fruto desse aprendizado contínuo dos últimos seis anos. Para sintetizá-lo, os formuladores e as próprias empresas, muitas delas stakeholders da Gri, participaram de um intenso processo de discussão em audiências públicas realizadas em diversos países, inclusive no Brasil.
Os indicadores foram reavaliados e – mais importante – ganharam protocolos técnicos que explicam com mais exatidão cada informação pedida. assim, o que antes estava aberto a inúmeras interpretações agora está descrito.
Essa maior padronização facilita o alcance do objetivo principal da Gri: a comparabilidade entre as companhias. em outra frente, a G3 consigo traz instrumentos que reforçam a credibilidade das informações prestadas pelas companhias e forçam a padronização do relatório no padrão da Gri.
As empresas farão uma auto-declaração sobre o estágio do relatório, conferindo uma letra para a publicação: a (o mais completo), B e C (o mais básico). essa notação está baseada em critérios já estabelecidos pela Gri. além da auto-declaração, a Gri estimula as empresas a buscar uma terceira parte – por exemplo, uma empresa de consultoria independente, uma onG ou uma instituição acadêmica – para verificar se os indicadores atendem às diretrizes propostas pela G3.
Uma terceira checagem poderá ainda ser feita pela própria equipe da Gri, que conferirá ao relatório um selo, o Gri Check. A verificação de adequação ao modelo não elimina a auditoria dos dados sociais e ambientais, prática já adotada por algumas empresas, como Cst-arcelor, itaú e serasa. no Brasil, o trabalho é conduzido por algumas das principais firmas de auditoria, como a Bdo trevisan, a Pricewatehouse - Coopers e a deloitte.
Com informações críveis e comparáveis, o terreno está pronto para que, em pouco tempo, as companhias de um determinado segmento de mercado possam ter seus desempenhos analisados em conjunto, sob o ponto de vista da sustentabilidade. “temos, agora, uma plataforma para que estado, sociedade civil, produtores e consumidores estabeleçam uma nova base de relacionamento”, disse Achim Steiner,diretor-executivo da UneP, agência da onU voltada para a preservação do meio ambiente.
Essa preocupação está presente entre as grandes empresas brasileiras. representantes de algumas companhias, onGs, universidades e consultorias acompanharam as discussões em amsterdam.
Entre elas, aBn amro real, natura, Petrobras, PricewatehouseCoopers e serasa. A produção de relatórios de sustentabilidade aumenta a cada ano, no País, e tende a se acelerar nas próximas temporadas.
Contribuirá para essa maior adesão o lançamento da versão em português das diretrizes da G3, que acontecerá em dezembro, em são Paulo.
A Conferência da Gri também serviu como oportunidade para empresas de todo o mundo partilharem dúvidas e angústias despertadas pelo trabalho nos relatórios. “as companhias dizem que os analistas de mercado não lêem os relatórios.
Mas será que os relatórios estão realmente contando direito a história?”, pondera Björn stigson, presidente do Conselho empresarial mundial para o desenvolvimento sustentável (WBCsd, sigla em inglês). 
Fonte : CEBDS
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