1. É difícil a polarização entre a nececessidade de crescimento e a de preservar nossos recursos naturais ou em nome da sustentabilidade, abandona-se a sustentabilidade? Qual a ocorrência mais comum?
R – Na verdade esse é um falso dilema, pois a sustentabilidade é a essência do desenvolvimento PERENE, em contraponto ao desenvolvimento predatório que buscando resultados apenas de curto prazo, compromete a possibilidade de desenvolvimento das futuras gerações.
A sustentabilidade não visa apenas “preservar” os recursos naturais, mas utilizá-los com uma intensidade que permita sua recomposição, minimizando seus impactos ao meio ambiente e também à sociedade.
2. O que poderá ocorrer, se não houver preservação?
R – A questão tem que ser colocada no tempo presente, ou seja, o que JÁ ESTÁ ocorrendo? O aquecimento global, por exemplo, já é uma constatação, os últimos 6 anos (1998 a 2005) foram os mais quentes da história.
Só isso traz conseqüências de falta de água em diversas regiões, desaparecimento de espécies vegetais e animais, impacto em agricultura e pecuária, eventos climáticos extremos (secas, inundações, furacões, incêndios, etc...), novas doenças, isso sem contar com o provável aumento do nível do mar.
Preservar a biodiversidade também é essencial, os princípios ativos para cura de doenças, são descobertos a partir de espécies animais e vegetais, cosméticos, alimentos, entre outras coisas demonstram nossa total dependência dos recursos naturais. A humanidade está diante de um desafio enorme, impactos ambientais intensos, escassez de recursos naturais, destruição da biodiversidade conjugado ao aumento populacional.
Ou utilizamos esse desafio como um degrau para a evolução humana, buscando novas tecnologias, novos meios de gestão e uma nova visão ou ele se tornará uma armadilha com conseqüências destrutivas para todos nós.
3. Algo de social na preservação das florestas? O que há de social na preservação?
R - Existe uma grande complexidade nesta questao, pois envolve diversas esferas do governo, da acao de empresas e da sociedade. Estamos falando nao apenas de acoes de geracao de renda, mas de educacao e tecnologia.
Felizmente bons projetos ja existem. Os principais estao relacionados a manejo florestal conjugado com educacao ambiental. Ou a verticalizacao do processo de producao dentro das comunidades, procurando agregar valor ao produto ao inves da entrega da materia prima in natura.
Organizacoes como SOS Mata Atlantica, Amigos da Terra e ecolog sao bons exemplos. Empresas como Daimler Chrysler Benz, banco ABN AMRO REal, Natura e Alcoa mostram que é possível aliar desenvolvimento de comunidades ao negocio.
4. O que o empresariado pode lucrar com a preservação?
R – Nosso objetivo é mostrar para os empresários o Bom Negócio da Sustentabilidade. Adotar práticas sustentáveis na indústria, por exemplo, nos leva a uma maior eficiência dos processos produtivos, e consequentemente reduzindo os custos, mas de que maneira?
Maior eficiência significa menor consumo de energia, maior produtividade por funcionário, reaproveitamento de rejeitos e resíduos industriais. Práticas sustentáveis reduzem o risco de uma operação, mas como “fazer dinheiro” com isso? O custo do “dinheiro”, ou seja, taxas de juros, são a exata medida do risco de uma operação.
Se sua empresa possui um risco menor de “passivos” ambientais, como ser autuada, multada ou interditada, esse risco menor se traduz como taxas de juros menores.
Existem linhas de crédito mais baratas, e também fundos de ações voltados para empresas que possuem evidências de práticas sustentáveis. Outra maneira de lucrar com a sustentabilidade é desenvolver produtos sustentáveis, com base no uso de materiais de florestas, reciclagem, ou fontes renováveis de energia (álcool e biodiesel, por exemplo) que hoje encontra mercados consumidores sofisticados e que crescem a cada dia, principalmente fora do Brasil.
Para finalizar, existem oportunidades de lucro com geração de créditos de carbono, (reduções certificadas de emissões de gases do efeito estufa) que podem ser comercializadas em bolsas do mundo inteiro e aqui no Brasil na BM&F.
5. Estudos da Fundação Getulio Vargas sinalizam que pela absorção de carbono, a dívida da humanidade com a floresta amazônica chega a 35 bilhões de dólares. Os senhores conhecem a pesquisa? Concordam com os valores?
R – Não conhecemos esse estudo, portanto não temos como avaliar a questão do valor com exatidão, mas podemos comentar alguns pontos. A floresta amazônica é considerada uma “Comunidade Clímax” o que significa dizer que tudo o que ela gera ela consome, em equilíbrio.
Toda a água evaporada é retornada em forma de precipitação ou condensação, todos os nutrientes gerados retornam ao solo por decomposição e também, todo o carbono absorvido pela floresta, é também expelido pela respiração que plantas, animais e decomposição geram.
Considerando o balanço de carbono, portanto, é falso dizer que ela é o “pulmão do mundo”. Entretanto, ela possui milhões de toneladas de carbono já fixadas em suas árvores, plantas, animais e microorganismos. Cada hectare derrubado de floresta libera para a atmosfera de 140 a 200 toneladas de CO2 de modo que o valor da floresta amazônica em termos de crédito de carbono deve estar atrelado a esse fator.
Uma grande oportunidade na amazônia é o reflorestamento de grandes áreas devastadas, por espécies nativas, reflorestamento esse que será um sorvedouro de CO2 atmosférico concedendo ao projeto créditos de carbono que poderão ser comercializados.
6. Temos 1,4 milhões de hectares de florestas protegidas. A meta do governo brasileiro é de no prazo de 10 anos chegar a 50 milhões de hectares.
Os senhores estão animados com esta perspectiva?
R – Achamos isso excelente. Além da questão de carbono, a biodiversidade é de vital importância para o mundo, e também de importância econômica.
A diversidade genética das florestas tropicais no Brasil é um ativo que precisa ser preservado e explorado com inteligência e estratégia.
Com esses recursos aliados à pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico, podemos desenvolver inúmeros princípios ativos para indústria farmacêutica, cosmética, de alimentos, gerando patentes que podem ser licenciadas no mundo inteiro, fazendo do Brasil o grande fornecedor de soluções de princípios e produtos naturais para essas indústrias.
A biodiversidade funciona como um Banco de DNA da natureza, promovendo a evolução de novas espécies e a riqueza dos ecossistemas. Quanto mais ricos e com maior diversidade, maior será a força e resistência desses ecossistemas.
7. Qual a importância da Floresta da Tijuca, na opinião dos senhores?
R – A importância da Floresta da Tijuca é mostrar que é possível. É possível se recuperar uma área extensa, devastada ambientalmente e beneficiar a população de uma cidade, por gerações e gerações.
Foi uma experiência muito bem sucedida dentro de uma ação visionária de D.Pedro II, que em 1861, percebendo os problemas já existentes de falta de água, decidiu recompor a mata atlântica com espécies nativas em uma área totalmente devastada.
Foram plantadas no século XIX cerca de 90 mil árvores numa área de 3.300 hectares. Hoje ela é a maior floresta urbana do mundo e que atraiu novamente a vida selvagem de animais nativos e protegendo mananciais. Graças a essa iniciativa de quase 150 anos atrás a população do Rio de Janeiro do passado, do presente, e do futuro poderá usufruir desse parque além dele ser um dos pontos turísticos da cidade gerador de renda. 
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